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Gramática com Música · Passado e Nostalgia · B1

Used To com In My Life (The Beatles)

Atualizado em julho de 2026 · Leitura ~4 min

Tem música que parece ter sido escrita pra ilustrar um ponto gramatical específico. In My Life é uma delas: do início ao fim, é uma canção sobre coisas que existiram e não existem mais — lugares, amigos, amores. Ou seja, é o cenário perfeito pra 'used to'.

O grande erro de quem ensina 'used to' é reduzir a estrutura a uma tabela de conjugação sem contexto emocional. Funciona, mas não gruda. In My Life resolve isso porque a nostalgia da letra já carrega o significado da estrutura: fala de um estado ou hábito que era verdade no passado e que hoje não é mais. O aluno sente a diferença antes de aprender a regra.

Por que essa música e não outra

'Used to' tem duas armadilhas comuns: alunos confundem com 'be used to' (acostumado a) e confundem com o simple past comum. In My Life ajuda a separar os dois porque a letra é claramente sobre mudança de estado — lugares que 'existiam' e pessoas que 'permanecem' na memória, mas de um jeito diferente de antes. Isso deixa nítido que 'used to' marca contraste entre passado e presente, não apenas uma ação pontual.

There are places I remember, all my life, though some have changed.

Há lugares que eu lembro, a vida toda, embora alguns tenham mudado.

Não é 'used to' na forma explícita ainda, mas já planta a ideia de mudança — ótimo gancho pra perguntar: 'o que esses lugares costumavam ser?'

A gramática, direto ao ponto

'Used to' + verbo no infinitivo (sem 'to' duplicado) descreve hábitos ou estados do passado que não são mais verdade. É diferente de 'be used to' + gerúndio, que fala de acostumar-se a algo. E é diferente de 'get used to', que fala do processo de se acostumar.

As três primas confusas do 'used to'.
EstruturaUsoExemplo
used to + verboHábito/estado do passado que acabouI used to live there.
be used to + -ingEstar acostumado a algoI'm used to living alone.
get used to + -ingProcesso de acostumar-seI'm getting used to living alone.

Na letra de In My Life, o sentimento geral é de estado passado que mudou — mesmo sem a estrutura aparecer palavra por palavra o tempo todo, é o campo semântico ideal pra você, professor, inserir frases suas com 'used to' baseadas na história contada pela música.

Transformando a letra em prática guiada

Uma boa tática é pegar o tema da música (lugares e pessoas do passado) e pedir que o aluno complete frases com 'used to', usando o vocabulário da canção como apoio.

All these places have their moments, with lovers and friends I still can recall.

Todos esses lugares têm seus momentos, com amores e amigos que ainda consigo lembrar.

Peça ao aluno: 'Reescreva essa ideia usando used to.' Resposta esperada: I used to have friends there. / We used to spend time in these places.

  • Peça pro aluno ouvir a música uma vez sem letra e anotar palavras-chave sobre 'passado' e 'lugares'.
  • Na segunda audição, com a letra na mão, grife os verbos e substantivos ligados a memória.
  • Depois, o aluno reescreve 3 frases da música usando 'used to' + verbo, mesmo que a estrutura não apareça literalmente — o objetivo é treinar a paráfrase.
  • Finalize pedindo pro aluno falar sobre um lugar da vida dele: 'I used to go to... / I used to have...'

Dica de aula

Não force o aluno a achar 'used to' escrito na letra — a música raramente vai ter a estrutura pronta. O valor pedagógico está em usar o *tema* da canção pra gerar frases originais com a estrutura-alvo.

Produção oral: da música pra vida do aluno

Depois da parte de gramática guiada, é hora de personalizar. Pergunte: 'What did you use to do when you were a child?' e deixe o aluno responder livremente. Isso migra o foco da música pra vida real do aluno, que é onde a estrutura realmente fixa.

I used to play outside every day after school.

Eu costumava brincar lá fora todos os dias depois da escola.

Modelo de resposta pra você dar como exemplo antes de o aluno falar a dele.

Se quiser economizar tempo montando esse tipo de atividade, dá pra gerar a folha de exercício completa (com nível CEFR calculado, lacunas de gramática e produção oral) direto no ensineinglescommusica.com.br — é grátis, sem cadastro, e sai em PDF.

Erros comuns que aparecem nessa aula

  • Aluno confunde 'used to' com 'use to' (sem 'd') na escrita — corrija sempre visualmente.
  • Aluno tenta conjugar 'used to' no presente ('I use to go') — reforce que só existe no passado.
  • Aluno mistura com 'be used to' e produz algo tipo 'I used to living there' — aponte a ausência do 'be'.
  • Aluno acha que qualquer ação passada vira 'used to' — lembre que é só pra hábito/estado repetido, não ação única.
Qual nível de inglês essa aula com In My Life é indicada?+

B1 é o ponto ideal. O aluno já domina o simple past e consegue absorver o contraste com 'used to' sem se perder. Pra A2, simplifique o vocabulário e foque só em frases curtas.

Dá pra usar In My Life pra ensinar 'used to' negativo e interrogativo também?+

Sim. Depois da parte afirmativa, peça pro aluno criar perguntas tipo 'Did you use to live in a small town?' e respostas negativas 'I didn't use to like this place.' Isso fecha o ciclo gramatical completo.

Como engajar aluno que já ouviu essa música antes?+

Pergunte a opinião pessoal dele sobre a letra antes de entrar na gramática. Isso cria contexto emocional genuíno, que ajuda a fixar 'used to' melhor do que exercício isolado.

Essa estrutura aparece em provas de proficiência?+

Sim, 'used to' é cobrado com frequência em exames como Cambridge e TOEFL em questões de gramática contextual, justamente porque exige diferenciação semântica clara — exatamente o que essa aula treina.

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